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Não somos latinos

Antes de mais nada, quero declarar que não tenho nada contra os latinos, sejam eles quem forem. Nem quero negar nossas origens históricas e culturais. Afinal, o grande poeta Olavo Bilac refere-se à nossa lingua pátria, o português, como "última flor do Lácio, inculta e bela", em referência à origem latina do idioma. O que eu quero negar aqui é a pecha genérica imposta indistintamente a mexicanos, argentinos e brasileiros. Poque afora as origens vagamente comuns, cada povo que compõe a chamada "América Latina" possui identidade e características próprias. Confesso que fico irritado quando se referem à música brasileira como "latina". O que é musica latina? Samba é musica latina? Ou rumba? Ou Tango? Ou Bossa Nova? Ou Jass? Nem mesmo o idioma é unanimidade. Diz-se que o idioma predominante é o espanhol. Pode ser dominante em termos de número de países falantes, mas em termos populacionais aparece um predomínio do português. Isso sem falar nos poucos países on...

Belo Monte, veículos elétricos e Smart Grid de pobre

A polêmica energética do momento é a construção (ou não) da usina de Belo Monte. De um lado, governo e indústria declaram que a Região Norte necessita desta energia, que de outra forma teria que ser fornecida por termoelétricas. De outro, um coro de ambientalistas, capitaneados pelos índios Txucarramãe e com o apoio de personalidades famosas, como James Cameron, Sigourney Weaver e Sting, opõem-se à obra, alegando que os impactos ambientais podem destruir a floresta na região, por afetar o fluxo natural das águas. A Senadora Marina Silva declarou que ações contra o desperdício de energia resultariam numa economia de 15%, muito superior à capacidade de Belo Monte Leia aqui o texto na íntegra . Na verdade, o desperdício pode ser realmente muito maior, pois toda nossa malha elétrica está dimensionada para suprir a demanda nos horários de pico (tipicamente entre as 17 e as 19hs). No resto do tempo, opera com capacidade ociosa, sobretudo durante as madrugadas, onde o consumo é muito mais bai...

Estou voltando!

Peço desculpas a todos por minha longa ausência. Compromissos profissionais e acadêmicos me deixaram um pouco sem tempo. Em breve publicarei um novo artigo sobre os veículos elétricos no Brasil. Aguardem...

COP 15 - Tudo certo. Nada combinado

Muitas pessoas se perguntam qual a causa do fracasso das negociações na COP 15. Alguns tinham esperança de que a urgência da situação motivasse os líderes mundiais a ação. Não foi bem isso o que aconteceu. Na verdade, ficou a impressão de que enquanto o nível do mar não chegar ao segundo andar do "Empire States", nada será feito a respeito. Estão todos pensando em seus próprios problemas, sem considerar que o problema de um é o problema de todos. É curioso notar que o único acordo firmado foi um acordo financeiro, ainda que irrisório. É como se achassem que pode-se pagar para se livrar dos problemas do clima. Gostaria de falar sobre duas possíveis causas para o fracasso das negociações: 1. Egoismo - Como  já diz o velho ditado: "Farinha pouca, meu pirão primeiro". Esta parece ter sido a tônica das negociações. Ninguém queria abrir mão do "direito" de poluir, como se poluição e desenvolvimento estivessem indissociavelmente ligados. A maioria não consegue co...

COP-15 e o sexo dos anjos

Acredito que a ficha não caiu ainda para muita gente. Acabei de ver um comentário em uma notícia publicada pelo Terra afirmando ser o aquecimento global uma "fraude". Não consigo imaginar quem sairia ganhando com uma fraude como essas, mas talvez eu não seja tão imaginativo assim. Mas o fato é que o aquecimento global já é inegável há mais de 30 anos. E é inegável há mais de 20 que uma parte importante deste aquecimento tem origem na atividade humana (leia-se desmatamento e queima de combustíveis fósseis). Não faz o menor sentido discutir quanto desse aquecimento é por nossa causa. As pessoas não percebem que um pequeno aquecimento global por causas naturais e completamente inócuo, somado a outro pequeno aquecimento por causa humana, causa um grande aquecimento de proporções catastróficas. As pessoas não compreendem que estamos sendo forçados a nos deslocar para um novo estado climático que não pode ser facilmente revertido. Não entendem que reduzir as emissões de carbono em...

Veículos elétricos - o custo da mudança de paradigma

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É desnecessário lembrar que eu sou um defensor ardoroso dos veículos elétricos. Sua elevada eficiência energética compensam todas as demais limitações. No entanto, tenho plena consciência de que esta não será uma mudança indolor, como não o é nenhuma grande mudança de paradigma. Vou ilustrar meu ponto de vista com uma história que eu não sei se é verdadeira, mas é muito didática. O relógio de pulso a quartzo, que hoje é o padrão no mercado, foi inventado por um relojoeiro suiço chamado Max Hetzel. Na época, foi uma inovação gigantesca, pois permitia fabricar relógios dezenas de vezes mais precisos. No entanto, os fabricantes de relógios suiços não mostraram grande interesse. Diz a lenda que um deles chegou a dizer a Hetzel que um relógio que não tem corda e balanço não é um relógio. Pouco tempo depois, o relógio a quartzo de Hetzel começo a ser fabricado nos Estados Unidos e em seguida no Japão. Eram relógios mais precisos e muito mais baratos do que os tradicionais relógios mecânicos ...

Veículo Elétrico Livre????

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Este é um tema delicado. O que se segue é principalmente opinião pessoal, mas acredito que meus argumentos são razoáveis. Mencionei certa vez no grupo de veículos elétricos a idéia de um projeto livre. As reações foram as mais diversas, desde o apoio irrestrito até a oposição enfurecida. Acredito que este tipo de reação pode ser consequência de uma compreensão inapropriada do que seja um projeto livre, ou aberto. O termo "open source" (fonte aberta ou código aberto) normalmente é usado em associação a projetos livres. Tenho alguma experiência com o software livre, não como desenvolvedor mas como usuário e divulgador. Quando se fala em código aberto, a primeira coisa que normalmente nos vem à mente é o Linux. Isso devido ao sucesso que este sistema operacional alcançou no mercado. Parte deste sucesso deve-se ao fato de o Linux normalmente ser distribuido livremente, o que tem feito as pessoas confundirem software "livre" com software "gratis". Para piorar ...