domingo, 29 de setembro de 2013

Estudar, Estudar, Estudar...

Juro para vocês que eu nunca estudei tanto na minha vida. E isso é porque estou estudando só Inglês. Quero falar hoje um pouco do ELC em si e de como funciona o curso.

Antes do início das aulas, passei por um teste que serviu para avaliar o meu nível de inglês. O teste é feito no computador e inclui testes de ouvir e falar em inglês, e também testes de escrita e leitura. O teste é bem difícil e eu pessoalmente achei que fui muito mal, mas depois fui surpreendido pelo resultado.

O ELC é organizado em 2 programas diferentes: o Foundations e o Academic, ambos com 3 níveis, A, B e C. Atualmente existem também os preparatórios Pre Foundations e Pre Academic. Pelo desempenho que eu tive no teste, pensei que eu seria designado para o Foundations A ou B. Mas qual não foi a minha surpresa quando eu soube que estava no Academic A! Fiquei surpreso e preocupado. Surpreso porque eu não imaginava que soubesse tanto inglês assim. Preocupado porque eu sabia que o curso seria bem puxado e que eu seria exigido ao extremo.

A primeira semana foi composta de uma última entrevista (é nela que definem para que nível você é designado) e algumas atividades de orientação e boas vindas. Em uma das atividades, fomos organizados em grupos e nos foi dado uma página impressa  com várias fotos. Tínhamos que identificar de onde era a foto (todas dentro do Campus da Universidade) e tirar fotos com o grupo nos mesmos lugares das fotos da página. Andamos muito, mas conhecemos melhor a universidade.

O ELC tem alunos de várias partes do mundo. O grupo maior é o dos mexicanos, mas em seguida vem os brasileiros. Mas tem alunos da Venezuela, Equador, Colômbia, Peru, Itália e até da Rússia. Somos incentivados a falar inglês o tempo todo.

No ELC e nos Estados Unidos em geral, eles dão muito valor ao estudo em casa (eles chamam de Home Work). Na verdade, metade da sua nota vem do seu desempenho em casa. No ELC eles verificam a cada dia se você fez ou não o home work. Parece coisa de escola primária, mas no fim das contas é bom, porque temos um incentivo extra para estudar.

Não sei como funciona nas outras classes, mas no Academic A temos 4 disciplinas: Writing (Escrita), Listening and Speaking (Escutar e Falar), Reading (Leitura) e Linguistic Accuracy (Gramática, sintaxe, etc). As aulas são das 8:15hs até as 14:40hs, com um intervalo das 11:40hs até as 12:15hs. O resto do tempo é para estudar. E tem muita coisa para estudar.

O ano letivo americano tem 4 "semestres", intitulados Spring (primavera), Summer (verão), Fall (outono) e Winter (inverno). A inscrição para o Winter foi até o dia 27 de setembro (sexta-feira passada), mas a inscrição para o Summer, que começa em maio, vai até o dia 1º de dezembro. Se você tem intenção de aplicar para o summer, recomendo começar a se preparar agora. Os detalhes você pode encontrar em http://elc.byu.edu. Consegui convencer a minha esposa a se inscrever para o Winter na última hora, então imaginem a correria que foi nessa sexta...

O que eu posso dizer é que se você está disposto a trabalhar duro, vale a pena.


sábado, 28 de setembro de 2013

2112 - As Torres de Diamante - Parte II - A Crise do Carbono

Na época que eu nasci, era muito difícil alguém alcançar os 100 anos. Hoje é raro alguém não passar desta idade. Parece que o novo estilo de vida aliado aos avanços da medicina genética levaram a expectativa de vida a patamares nunca vistos. Pelo que ouvi dizer, faz uns 50 anos que ninguém morre de velho. Não é minha especialidade, mas parece que tem a ver com um conjunto de genes que parecem estar associados ao processo de envelhecimento. Nossos amigos médico conseguiram criar um tratamento genético que desativa este conjunto de genes. Uma coisa curiosa é que apenas as duas primeiras gerações de humanos precisaram receber o tratamento. A terceira em diante começou a nascer com os genes da velhice inativos. Talvez este seja o primeiro exemplo de evolução autoprovocada. A mesma técnica foi usada para curar doenças como o daltonismo e a hemofilia. Mas todo este avanço criou um grande problema. Embora as taxas de natalidade estejam relativamente baixas (ouço falar em 1,75 filhos por mulher), as taxas de mortalidade também estão muito baixas. A mortalidade infantil é praticamente zero e  as guerras, crimes e acidentes de trânsito não são mais uma preocupação (os acidentes de trânsito praticamente acabaram quando os automóveis deixaram de precisar de motoristas). Assim, a população humana continua aumentando. Hoje somos em 15 bilhões. As Torres garantem espaço e condições ecológicas para até 10 vezes isso, exceto pelo fato de não haver carbono suficiente no planeta para tantas torres. Então, embora as coisas estejam bem hoje, não será assim para sempre. Algumas propostas como a migração para a Lua ou Marte estão sendo consideradas.

Mas esta é uma crise futura e eu gostaria de falar de uma crise passada, onde havia não falta, mas excesso de carbono no lugar errado.

Sou um dos sobreviventes da Crise do Carbono, a época em que quase nos destruimos por causa de nosso descaso e ganância. A humanidade aprendeu com seus erros, mas não tenho garantias de que esses mesmos erros ou outros piores não se repetirão no futuro. Resolvi então contar esta história para as futuras gerações. Há muito tempo não usamos mais papel, por razões óbvias. Hoje dependemos inteiramente dos meios digitais para nossos registros e nossa comunicação. Mas se um dia, por algum motivo nossa tecnologia falhar, perderemos o acesso a todos nossos registros, toda nossa história. Sem isso, a humanidade pode levar um tempo gigantesco para se reerguer, e isso pode ser a nossa ruina final. Pensando nisso estou fazendo com que este meu registro seja impresso em páginas feitas em um polímero especial, que segundo o prognóstico dos especialistas, pode sobreviver por vários milhões de anos. Farei com que cópias deste registro estejam presentes em cada Torre já construida e em cada uma das que forem  edificadas a partir de agora. Estou fazendo com que sejam incluidos registros microfilmados feitos do mesmo material, com um registro tão completo quanto possível, de todas as informações relevantes de nossa cultura e sociedade, além de instruções para a construção de um leitor para estes microfilmes de fácil fabricação e manuseio, para o caso em que todos os leitores tenham sido destruidos. Tudo para garantir que que algum dia a civilização seja destruida, a humanidade consiga se reerguer fazendo as coisas do jeito certo. Espero que esta múltipla redundância garanta que isto chegue às mão daqueles que precisarem.

Ah! A crise do carbono. Deixe me explicar um pouco sobre o que antecedeu a esta crise. Pois na década de 1970, começaram a surgir os primeiros indícios de que o clima estaria sendo alterado pela ação humana. Durante muitos anos, esta mudança climática antropomórfica foi atribuída às emissões de carbono humanas, consequência da queima de combustíveis fosseis e do desmatamento por queimadas. Foi criado um grupo de pesquisadores, na época chamado de IPCC, que ficou responsável por coletar todos os dados provenientes das pesquisas climáticas que corroborassem com a tese do chamado "aquecimento global antropomórfico", e a partir desses dados produzir relatórios periódicos que servissem de orientação para governos e outras instituições em posição de tomada de decisão. A princípio, tudo parecia indicar que as emissões de gás carbônico humanas estavam realmente alterando o clima da Terra. O problema começou quando as temperaturas médias do planeta pararam de subir de acordo com o modelo teórico. Curiosamente, passaram-se alguns anos antes que o público começasse a tomar conhecimento dessa tendência. Coincidentemente ou não, neste período ocorreu um incidente que prejudicou a imagem do IPCC e forneceu munição para os críticos do aquecimento global, os chamados céticos. Descobriu-se que um dos pesquisadores selecionou os dados para que se encaixassem na teoria, descartando os demais. É pratica comum entre os pesquisadores descartar os dados que destoem demais da média prevista (consequência de erros de medida), mas nesse caso, os descarte foi nitidamente um "ajuste de curvas". Isto forneceu lenha para a fogueira dos críticos, que começaram a desconfiar de outros trabalhos. Foram detectadas falhas na coleta e seleção de dados, falhas de metodologia, interesses políticos e econômicos em ambas as facções. Mas a imprensa, sensacionalista e pouco técnica, não soube distinguir com careza o que estava realmente acontecendo. Uma parte da imprensa continuou sistematicamente a divulgar a tese do aquecimento global sem nenhuma mudança, como se nada tivesse acontecido. Outra parte (a mais sensacionalista) deu foco aos críticos, passando a idéia de que não havia de fato um aquecimento global .

Em meio a esta guerra de fatos, mentiras e acusações, uns poucos grupos sérios de climatologistas começaram a filtrar o sinal em meio ao ruído. Parecia claro que havia algum tipo de perturbação climática, algo que não podia ser explicado simplesmente pelas variações naturais. O problema era definir qual era a tendência, se de aquecimento, resfriamento ou fortes oscilações entre estes dois extremos. Era fácil perceber a partir dos dados (aqueles coletados corretamente) que havia uma forte correlação entre a atividade humana e os extremos climáticos, mas não somente na direção do aquecimento. Também era fácil perceber que estas perturbações apareciam mais intensamente em áreas mais densamente povoadas e industrializadas. Era muito difícil filtrar esta perturbação em meio aos vários fenômenos naturais, tais como o El Niño e o Ciclo Solar, mas a medida que mais dados foram coletados, a correlação começou a ficar clara, não na direção de um aquecimento, mas definitivamente de uma perturbação no ciclo natural. Esta perturbação não poderia mais ser atribuídas exclusivamente às emissões de carbono humanas, mas ao conjunto de todas as atividades que de alguma maneira provocavam seu impacto. Logo provou-se que o desmatamento era mais grave do que a queima de combustíveis fósseis, mesmo quando este desmatamento visava o plantio de cana-de-açucar ou outro tipo de biomassa destinado a substituir o petróleo. Outras coisas como a ocupação urbana, uso da água e mananciais, poluição da água, ar e solo, lixo eletrônico, desperdício de energia, matérias primas e alimentos, pesca predatória e extinção de espécies, tudo isso e muito mais, estavam alterando de maneira significativa o ecosistema terrestre. Logo ficou claro que simplesmente cortar as emissões de carbono estava longe de ser suficiente para a solução do problema. Era necessário mudar o sistema, fazer as coisas de um jeito diferente. Isso implicou em profundas mudanças nos hábitos de alimentação, moradia e transporte, alem de profundas alterações econômicas e políticas.

Infelizmente, quando finalmente a comunidade científica chegou a esta conclusão, muitos trilhões de dólares já haviam sido irrecuperavelmente gastos na chamada "mitigação ativa de carbono", ou seja na construção de máquinas gigantescas e caras criadas para remover ativamente o gás carbônico da atmosfera. Isto teve o seu lado bom, porque propiciou o excedente de material necessário para baratear a construção das Torres. Mas escapamos por um triz de mergulhar em uma Era Glacial Antecipada. Tudo isso porque a humanidade resolveu agir antes de entender o que estava realmente acontecendo.




segunda-feira, 16 de setembro de 2013

O Caminho das Pedras


Quando tive a idéia de estudar em BYU, eu não sabia exatamente o que fazer e nem como. Eu tinha apenas a idéia de que seria bom eu estudar algo da minha própria especialidade atual, que é Tecnologia da informação. Eu sabia que precisava conseguir um bom resultado no TOEFL (teste que avalia a proficiência em inglês) e sabia também que meu inglês não era lá essas coisas. Eu precisava melhorar muito o meu inglês com certeza. Foi por acaso, navegando pelo site da BYU que eu descobri o English Language Center, ou ELC. Percebi que o programa que eles oferecem era exatamente o que eu precisava, um curso de inglês em tempo integral nos Estados Unidos. Embora não conte créditos para a universidade, conta pontos no seu GPA, que é um índice que indica o seu desempenho acadêmico. Resolvi que este seria o caminho.

A viagem de mais de 16 horas foi cansativa, mas interessante. Nosso vôo fez uma escala em Charlotte,  na Carolina do Norte. Lá foi nossa primeira experiência nos Estados Unidos. A passagem pela imigração foi tranquila com toda a documentação em ordem. Enquanto esperávamos pela nossa conexão, tentamos pedir um lanche em uma lanchonete. Foi ai que descobri a primeira coisa que nenhum curso de inglês ensina: como pedir comida no restaurante e como distinguir as opções. Foi uma experiência interessante.

Enfrentar uma cultura totalmente diferente da sua em um país estranho não é uma tarefa fácil. Portanto, se você tiver algum amigo nos Estados Unidos e que more perto do lugar para onde você pretende ir, peça ajuda. Ele pode ajudar em várias coisas, desde como se orientar na cidade até mostrar os costumes do local, as coisas legais e as armadilhas que você pode encontrar se não for advertido. Fomos muito bem recebidos por uma família de brasileiros que moram aqui há vários anos. eles nos ajudaram muito.

Uma vez aqui, duas coisas precisavam ser resolvidas: a compra de um carro e o aluguel de um apartamento. Nesta ordem. Isto porque aqui não tem muitos ônibus e você precisa rodar um bocado para achar o apartamento ideal para você. Você pode comprar um carro diretamente de um particular ou pode comprar de uma loja (dealer). Eu comprei de um particular, mas não foi uma boa experiência. No estado de Utah (e na maioria dos estados), para transferir o veículo para o seu nome, é obrigatória uma inspeção veicular, que checa a segurança do veículo e também as emissões de poluentes. O dealer já te entrega toda a papelada pronta, então eles são responsáveis por garantir que o veículo vai passar na inspeção. O particular não tem esta obrigação. Então eu tive que gastar algum dinheiro (e não foi pouco) para fazer o carro passar na inspeção. Assim, recomendo comprar o carro de um dealer. Lembrando que vendedor de carro é igual no mundo inteiro, então eu recomendo cautela. Peça ajuda do seu amigo e ouça o conselho dele.

Se você vem sozinho para estudar, você pode encontrar em Provo vários apartamentos compartilhados que você pode alugar por uns 300 USD. BYU exige que os alunos morem em apartamentos aprovados, especialmente se você for solteiro. Se você vem com a família, um apartamento de 2 ou 3 quartos pode variar entre 750 e 950 USD. A maioria dos apartamentos já vem com Aquecimento central e ar condicionado quente e frio, uma necessidade de sobrevivência aqui, onde faz 40 graus no verão seco do deserto e -30 graus no inverno. É comum incluir água, TV a cabo e internet, mas não é uma regra. normalmente você tem que pagar pelo gás e pela energia elétrica. Consegui um bom apartamento próximo a BYU, o que ajudou bastante.

Antes de vir para cá, eu antecipei a renovação da minha habilitação e obtive uma Permissão Internacional para Dirigir. Quando cheguei aqui, descobri que não serve para nada. O Estado de Utah exige que você obtenha uma habilitação americana em até 6 meses. Durante este tempo você pode usar a sua habilitação brasileira. Ainda não obtive a minha habilitação americana, então depois eu falo mais sobre isso.

Abrir conta bancária é fácil. Basta você apresentar seus documentos e seu passaporte no banco de sua preferência. Alguns podem pedir o seu Social Security Number, um número de registro que cumpre as funções do RG e do CPF no Brasil. Mas você só consegue obtê-lo se você conseguir a permissão para trabalhar. Eu abri a minha conta no banco Wells Fargo, que tem convênio com BYU.

É facil conseguir um telefone celular pré pago. Trouxe meu aparelho do Brasil e comprei o chip aqui de uma operadora chamada T-Mobile. Pago 50 USD por mês e posso fazer chamadas ilimitadas para os Estados Unidos e Canadá, além de SMS e mais 500 Mb de dados em 4G, ao fim dos quais a velocidade cai para 2G. Outras operadoras como a AT&T e a Sprint oferecem até IPhone de graça, mas você precisa fazer um contrato de 2 anos, então é bom ter certeza de que você vai ficar este tempo aqui antes de fazer um contrato como este. Algumas operadoras pode exigir o Social Security, então pergunte antes.

Roupas e alimentação são em média a metade do preço que se paga no Brasil, o que ajuda bastante. Combustível, energia elétrica e gás também são mais baratos. Algumas lojas como a Ross oferecem produtos de ponta de estoque, mas de qualidade, a preços muito interessantes. Comprei uma jaqueta de couro da Calvin Klein por apenas 59 USD. Isso para que se tenha uma idéia. Eletrônicos e computadores são muito mais baratos aqui também, então não se dê ao trabalho de trazer o seu computador. Venda no Brasil e compre outro aqui.

Trazer dinheiro para cá pode ser uma amolação. Só encontrei duas maneiras razoáveis de fazê-lo. Uma é usando o cartão de débito internacional do seu banco. Se você não tem, peça para o seu gerente. A outra maneira é usar um cartão pré-pago internacional. Com estes dois meios, você paga somente 0,38% de IOF, mas vai pagar o valor do dolar turismo. Você pode usar diretamente nas lojas para fazer comprar ou pode sacar em qualquer caixa eletrônico (eles chamam de ATM), mas ai você vai pagar uma taxa de 5 a 6 USD, então só vale a pena para sacar valores maiores. Você pode sacar até 1000 USD por dia menos a taxa. Contudo, os ATM só liberam cédulas de 20 USD, então você terá que sacar duas vezes e pagar a taxa duas vezes. Eles pensam em tudo. Para todos os outro métodos de trazer dinheiro você pagará 6,8% de IOF, além de outras taxas, além de ser muito mais complicado. Leve com você pelo menos uns 300 USD na viagem, para pagar taxis e outras despesas que não aceitem cartão, embora eu não tenha encontrado nenhum lugar que não aceite. Just in case.

Estas são algumas coisas que podem ajudar. No próximo artigo, vou falar mais do ELC e de como é a experiência de aprendizado lá. Até a próxima.


sábado, 14 de setembro de 2013

Acima dos Outeiros

Estou vivenciando uma grande experiência, a qual eu gostaria de compartilhar com meus leitores. Vou contar aqui a história de como larguei tudo (ou quase tudo) e fui com minha família para uma aventura cultural. Vou contar sobre a minha decisão de estudar no exterior e de como eu fiz para consegui-lo. Não foi fácil, exigiu muitos sacrifícios, mas é possível.

Estou fazendo algo que é incrivelmente difícil para mim, que é abrir a minha vida pessoal para o público. No entanto, sinto que tenho a responsabilidade de mostrar o caminho das pedras, de mostrar que estudar é importante e é possível, que a boa educação pode ser adquirida se estivermos dispostos a pagar o preço, e que este preço vale a pena ser pago.

Estou em Utah, nos Estados Unidos, em uma cidade chamada Provo, sede da Brigham Young University (BYU), uma das maiores e melhores universidades particulares dos Estados Unidos. Estou estudando no English Language Center, conhecido como ELC. O ELC é um centro de excelência. Possui um programa de ensino de inglês para onde convergem alunos do mundo inteiro. Lá temos brasileiros, mexicanos, chilenos, coreanos, chineses e até russos, todos focados em obter proficiência no inglês acadêmico. a grande maioria tem como objetivo continuar os estudos na BYU.

A decisão de vir para cá envolve várias experiências de cunho espiritual que me fizeram saber a vontade do Senhor com relação a mim e a minha família. Como talvez alguns leitores saibam, sou membro de a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, conhecida por alguns como os Mormons, embora este não seja o nome correto da Igreja. E minha decisão de estudar na BYU está intimamente relacionada com minha afiliação religiosa. Considero ambas inseparáveis. Então quero deixar claro que para mim a decisão de buscar mais conhecimento, mesmo com grande sacrifício, é uma decisão espiritual. Acredito que o caminho que eu segui pode ser usado para basicamente qualquer universidade americana. É óbvio que se eu quisesse aplicar para Harvard ou MIT seria um pouco mais difícil. As notas na escola ajudam muito, pois eles levam isso muito a sério por aqui. Então sugiro que comece tirando boas notas na escola.

Apresentei minha idéia e meus sentimentos para aprovação de minha esposa e filhos, pois eles seriam diretamente afetados por esta decisão. Fiz questão de que minha esposa e meus filhos estivesses absolutamente convictos de que minha decisão era acertada e que nós só viríamos para cá se todos sentissem exatamente o mesmo que eu a respeito. Foram algumas semanas de jejum e orações, mas por fim chegamos ao consenso de que deveríamos assim proceder. Uma vez tomada a decisão, tínhamos que providenciar os meios. Vendi tudo, casa carro, móveis, computadores, tudo que pudesse ter algum valor. Levei alguns meses para vender a casa, mas o carro foi vendido no mesmo dia que anunciei minha decisão para os amigos. A primeira pessoa para quem eu revelei meus planos fora da família foi o meu chefe. Achei que ele não ia gostar muito de descobrir que eu ia mudar de país através do Facebook. Ma ele foi extremamente compreensivo e apoiou minha idéia. Felizmente consegui um acordo para trabalha remoto (home-office).  Foi um acordo muito bom para mim e para a empresa, mas se fosse necessário, eu teria deixado meu trabalho para conseguir meus objetivos. Pode parecer loucura, mas meus sentimentos eram muito fortes e me deram muita confiança.

Fiz a inscrição para o curso (os americanos chamam de Application), paguei o semestre, enviei meus documentos e aguardei por mais de um mês para saber se eu seria aceito e mais um mês até receber a carta de confirmação e a documentação para o visto, o que inclui o formulário I-20, que indica para o governo americano que você foi aceito para estudar em uma escola americana. Com este documento na mão, se você não "pisar na bola", seu visto de estudante é praticamente certo. Comentário importante: você não pode trabalhar nos Estados Unidos com visto de estudante, exceto dentro da Universidade onde você estudará e somente com permissão da Universidade, que normalmente é concedida aos estudantes de melhor desempenho. Portanto, você precisa provar para a imigração americana que terá como se manter nos estados unidos por pelo menos um semestre SEM TRABALHAR NOS ESTADOS UNIDOS!!!!!. Isto é muito importante, eles levam isto realmente a sério. Se você for flagrado trabalhando nos Estados Unidos sem permissão, você perde a vaga na universidade, perde o dinheiro que você pagou, perde o visto e é gentilmente convidado a se retirar do país, e perde definitivamente o direito a outro visto. E acredite, você será denunciado. Portanto, NÃO FAÇA ISSO!!!!!

Sofri um pouco com as passagens aéreas. Eu não queria compra-las antes de ter certeza de que o meu visto seria aprovado, então eu acabei pagando um pouco mais caro. Um detalhe importante: o governo americano exige que você compre as passagens de ida e de volta, mesmo que você não pretenda voltar antes do fim do seu curso. Como você não consegue marcar uma passagem para uma data superior a 1 ano da data da compra, ou você se programa para fazer uma visitinha ao Brasil nas férias, ou você se programa para perder a passagem de volta. Você pode remarcar a passagem até uma vez, mas em algumas situações, a tarifa de remarcação cobrada pela companhia aérea é praticamente o preço de outra passagem. Por outro lado, a passagem só de ida custa em torno de 80% do preço da passagem de ida e volta. Então eu recomendo de considere esta passagem de volta como perdida.

Viver em Provo é muito agradável. a cidade é muito limpa e organizada (depois farei um post falando sobre o sistema de endereços usado nos Estados Unidos). Moro perto da Universidade, mas não muito perto do prédio do ELC. Não há muitos ônibus disponíveis aqui, então é bom ter um carro ou uma boa bicicleta. Como eu moro perto do campus, em caso de emergência dá para ir para a aula a pé, pelo menos enquanto não começa o inverno. Utah é um dos estados com mais precipitação de neve nos Estados Unidos. É bom estar preparado.

Na próxima semana, farei um relato de como chegamos nos estados Unidos e como consegui casa, carro, celular, conta bancária e outros serviços. Falarei também um pouco mais sobre o ELC e como foram as minhas primeiras semanas no curso. Até lá

Links relacionados:
English Language Center - ELC
Bhrigam Young University