sexta-feira, 14 de maio de 2010

Não somos latinos

Antes de mais nada, quero declarar que não tenho nada contra os latinos, sejam eles quem forem. Nem quero negar nossas origens históricas e culturais. Afinal, o grande poeta Olavo Bilac refere-se à nossa lingua pátria, o português, como "última flor do Lácio, inculta e bela", em referência à origem latina do idioma. O que eu quero negar aqui é a pecha genérica imposta indistintamente a mexicanos, argentinos e brasileiros. Poque afora as origens vagamente comuns, cada povo que compõe a chamada "América Latina" possui identidade e características próprias. Confesso que fico irritado quando se referem à música brasileira como "latina". O que é musica latina? Samba é musica latina? Ou rumba? Ou Tango? Ou Bossa Nova? Ou Jazz?

Nem mesmo o idioma é unanimidade. Diz-se que o idioma predominante é o espanhol. Pode ser dominante em termos de número de países falantes, mas em termos populacionais aparece um predomínio do português. Isso sem falar nos poucos países onde se fala francês, holandês, ou mesmo inglês, e que são incluidos no mesmo pacote dos latinos. Ou de grande parte do Canadá que é falante de francês, mas que conta como "América Anglo-Saxônica".

Pode parecer bobagem, mas este tipo de abordagem generalista pode induzir a erros. Erros que influem na tomada de decisão. Um exemplo facil de visualizar são os comerciais em espanhol que são veiculados na TV paga. Por que anúncios em espanhol? Porque algum tomador de decisões, acreditando que em toda a américa latina se fala espanhol, acha que não há problema em veícular publicidade neste idioma no Brasil. Ou então, acredita que o espanhol e o português são idiomas "parecidos" E realmente são. Só que o português e o italiano também são. Aliás, do ponto de vista sintático, são até mais parecidos. Só que esta é uma decisão errada. E o motivo é que a maioria dos brasileiros "acha" que entende espanhol. Mas apenas acha. e por causa disso, não compreende a mensagem que o anunciante queria transmitir. Além disso, na minha opinião, é um desrespeito transmitir para o publico de um país uma mensagem em um idioma destinado a outro país.

Por causa desta generalização, muitos americanos acreditam que a capital do Brasil é Buenos Aires e que aqui se dança rumba.

Por isso, quero reafirmar que somos brasileiros. Falamos o português e nossa capital é Brasília! A maioria não entende o espanhol e não faz a menor idéia do que seja rumba!

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Belo Monte, veículos elétricos e Smart Grid de pobre

A polêmica energética do momento é a construção (ou não) da usina de Belo Monte. De um lado, governo e indústria declaram que a Região Norte necessita desta energia, que de outra forma teria que ser fornecida por termoelétricas. De outro, um coro de ambientalistas, capitaneados pelos índios Txucarramãe e com o apoio de personalidades famosas, como James Cameron, Sigourney Weaver e Sting, opõem-se à obra, alegando que os impactos ambientais podem destruir a floresta na região, por afetar o fluxo natural das águas. A Senadora Marina Silva declarou que ações contra o desperdício de energia resultariam numa economia de 15%, muito superior à capacidade de Belo Monte Leia aqui o texto na íntegra.

Na verdade, o desperdício pode ser realmente muito maior, pois toda nossa malha elétrica está dimensionada para suprir a demanda nos horários de pico (tipicamente entre as 17 e as 19hs). No resto do tempo, opera com capacidade ociosa, sobretudo durante as madrugadas, onde o consumo é muito mais baixo, mesmo tendo que suportar a carga da ilumnação pública.

Uma proposta tecnológica para domar este desperdício é o "Smart Grid", um conjunto de tecnologias de automação e controle da malha elétrica, associado a meios de armazenamento que possibilitariam o uso da energia energia armazenada durante os horários de baixa demanda para suprir eventuais picos de consumo. Uma possivel forma de armazenar esta energia são as baterias dos veículos elétricos. Estes podem ser carregados durante a noite, com tarifas diferenciadas e quando estacionados, durante o dia, poderiam ter sua energia recomprada pelas concessionárias. O potencial deste método é tão grande que já se fala em pagar aos usuários de veículos elétricos, de modo que estes poderiam se mover sem custos de energia. Parece utopia, mas a necessidade de energia pelo setor industrial, principalmente a industria de alumínio, é tão grande que faria este modelo viável.

Ainda estamos talvez um pouco longe de implantar no Brasil o Smart Grid completo, mas já podemos começar com um "Smat Grid de pobre", utilizando mais veículos elétricos e carregando os mesmos durante a madrugada. Implantando metade do ciclo, certamente haverá incentivo para implantar a outra metade. O mercado brasileiro começa a oferecer opções elétricas, embora ainda muito caras (eu mesmo não poderia comprar um hoje). Contudo, um incentivo para os veículos elétricos leves, como motos e bicicletas elétricas, seria um impulso inicial. Mas é necessário remover barreiras fiscais e legais para efetivar este incentivo.

Para saber mais:

Smart Grid Forum

Uma rede Super Poderosa