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Mostrando postagens de julho, 2010

Quanto vale?

Uma das coisas que mais tem atormentado a minha mente ao longo da minha vida é o conceito de valor. Alguns valorizam as relações humanas, o trabalho, os hobbies, as artes. Outros valorizam o dinheiro, bens de consumo, status, poder. Atualmente, parece que o segundo grupo tem apresentado preferência em relação ao primeiro. O dinheiro é um valor que pode ser quantificado. Ou usado como padrão para quantificar outros valores. Atualmente, o dinheiro tem sido usado como referência para mensurar o estrago feito pela depleção da camada de ozônio, ou o impacto ambiental provocado pelas emissões de carbono fóssil. Ou pelo desmatamento. É o que convencionou-se em chamar de custo ambiental. Este conceito provoca a crença errada de que para consertar os estragos que provocamos é apenas uma questão de assinar o cheque. Isso nos leva a uma armadilha. Como avaliar algo em função de outro valor tão mutável? Diariamente, a cotação das moedas mudam uma em relação às outras. Se o dolar cair mais em relaç

Solitário

Não ficaria alí por muito mais tempo. A hora da fuga estava próxima. Após dez anos preso naquele maldito asteróide, chegava a hora da liberdade. Agora, jantava tranquilamente. Amanhã pela manhã, a fuga. Embora sua nave não tivesse alcance muito grande, aproximadamente uns 600 mil quilômetros, ele contaria com algo capaz de ampliar este alcance diversas vezes. Pacientemente ele esperava a aproximação do grande e maciço planeta. O poderoso campo gravitacional de Júpiter lhe daria o impulso necessário para atingir, se não a Terra, pelo menos as colônias marcianas ou uma das diversas estações espaciais solares. No entanto, caso não chegasse a este ponto com velocidade suficiente, ficaria preso em órbita do gigante gasoso, ou no pior caso, seria tragado pelo planeta, de onde não se conhecia retorno. Seu asteróide não era absolutamente desconfortável. Ali tinha tudo do bom e do melhor. Conforto, espaço, baixa gravidade, boa alimentação, roupas caras e outros artigos que eventualmente uma ou

A Ilha

Por causa da tempestade da noite passada, a praia está atulhada de detritos. As ondas ainda batem com força nos rochedos, provocando um som ensurdecedor. Este é o meu quinto dia nesta maldita ilha, onde fiz um pouso de emergência com o meu jato FA18. Meu rádio não funciona direito e só tenho combustível para uns 15 minutos de vôo. O GPS ainda funciona, mas o localizador pifou junto com o rádio. Ontem acabou o meu estojo com ração de emergência e hoje o meu desjejum foi de caranguejos com coco. Felizmente o isqueiro ainda funciona, então não precisei comer caranguejo cru. Mas por via das dúvidas, estou mantendo o fogo aceso. Descobri que jogar algas marinhas no fogo faz bastante fumaça, o que talvez ajude uma eventual missão de resgate a me localizar. Apesar dos danos, o avião ainda está em condições de vôo, mas para onde eu iria com combustível para 15 minutos? De acordo com o GPS, minhas coordenadas são 10º 12´ 30´´ N e 109º 16´37´´ W. Estou entre nada e coisa nenhuma. A praia é longa

Gaia, mudança climática e retirada sustentável

É da autoria do cientista britânico James Lovelock a Teoria de Gaia. Para quem não sabe, esta teoria afirma que o planeta Terra possui a capacidade de autoregulação de suas condições ambientais, incluindo temperatura e composição química, assemelhando-se muito a um ser vivo. Conforme afirmação de Lovelock, para que a Terra seja um ser vivo, só falta a capacidade de reprodução. Esta teoria provocou muita polêmica nos anos 70 e 80 do século XX, quando era conhecida apenas como Hipótese Gaia, cujo nome é inspirado na divindade grega que representava a Terra. Esta personalização de Gaia rendeu muitas críticas da comunidade científica a Lovelock, ao mesmo tempo que fez com que a hipótese ganhasse apoio entre os grupos ambientalistas e esotéricos. Graças a diversas evidências científicas e ao apoio de vários cientistas, principalmente climatologistas e glaciologistas, a Hipótese Gaia acabou por ganhar o status de teoria, sendo formalmente aceita pela comunidade científica. São as previsões d

Elétrico ou Etanol? O Melhor de Dois Mundos.

O preço elevado é apresentado continuamente como uma das desvantagens dos carros elétricos. Já vi diversas reportagens a respeito do Palio elétrico, desenvolvido por Itaipu, mencionarem algum valor entre R$130.000,00 e R$140.000,00 para cada exemplar do veículo. O que os jornalistas e o público não conseguem compreender é que R$140.000,00 por um protótipo de automóvel é uma verdadeira pechincha! Protótipos de veículos convencionais a gasolina/etanol costumam custar milhões! Mesmo quando tratam-se de atualizações de versões anteriores. Desta forma, o sucesso obtido pelo time de Itaipu é algo digno de nota. Portanto, devemos tomar alguns cuidados ao falar sobre preço de veículos elétricos. Isso não significa que tudo esteja às mil maravilhas. Pelo sistema tributário atual, torna-se impossível no Brasil viabilizar a fabricação dos elétricos. Este "garrote fiscal" quase teve um alívio com o pacote de incentivo do governo que foi suspenso na última hora, sob a alegação "avali